Muito se discute entre membros de diversas religiões e seitas se o formalismo religioso, isto é, a teologia sistemática com suas definições, teses e provas é um elemento de fat fundamental para o crescimento do Reino de Deus entre nós. Dou meu pitaco sobre o assunto: não acho importante mas sim fundamental! É preciso, antes de mais nada, saber no que se crê. Alguns, como um amigo meu espírita me disse certa vez que o importante é o amor... o importante é o amor... ele se referia ao amor antes da compreensão de questões fundamentais como de onde viemos, pra onde vamos, por que viemos e por quem vivemos. Naturalmente, em última instância, caímos de fato na importância do amor como princípio fundamental mas não é possível chegar a esta conclusão sem lançar a tese de que Deus é amor e prová-la. Ora, discutir a expressão Deus é amor foi tema de uma encíclica do Papa Bento XVI e o assunto é por deveras complexo e, por esta razão, leva à necessidade de outras definições profundas e fundamentais que são dadas pela teologia e por uma complexa estrutura filosófica. Quero dizer portanto que, mesmo para se descrever a fé em termos simples, deve-se ter um poderoso arcabouço por trás, o qual é responsável por dar sustentação a estas tais afirmativas "simples" (Deus é simples, coforme São Tomás de Aquino... vá ver o que isso significa na Suma Teológica. É algo bem complicado).
Creio que este movimento em busca da simplicidade (ou melhor, muito melhor, uma busca pela ridicularização do formalismo) se deva sobretudo ao forte processo de culto a ignorância pelo qual passamos de modo que, tudo aquilo que é complexo e que não pode ser compreendido por todos, deve ser substituído por algo objetivo sem a necessidade de garantir a consistência do que se diz (isso não seria importante). Além disso, é óbvio que este método é um prato cheio para as diversas seitas pois facilita sua penetração em meios numerosos e forma intelectualóides estúpidos capazes de propagar suas mentiras como se fossem verdades absolutas.
Blog sobre assuntos de meu interesse: política, filosofia e teologia na visão Católica, física e eventualmente um pouco de cultura pop.
quinta-feira, 11 de março de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Doutores da Igreja - Santo Tomás de Aquino
28 de Janeiro
Santo Tomás de Aquino
Confessor e Doutor da Igreja
(+ Fossa Nuova, 1274)
Santo Tomás de Aquino é considerado o mais sábio dentre todos os doutores católicos. Nascido de família abastada, foi enviado a mosteiro por seu pai quando tinha apenas 5 anos de idade a fim de que viesse a se tornar um monge beneditino. Aos 19 anos, contra a vontade de sua família, juntou-se a monges beneditinos mendicantes da ordem fundada por São Domingos de Gusmão. Estudou filosofia em Nápoles, onde nascera, e em Paris. Aprofundou-se na teologia em Colônia e novamente em Paris onde foi descoberto por Santo Alberto Magno (sobre o qual tratamos aqui há umas semanas). Morreu aos 49 anos quando se dirigia para o Concílio de Lião, a pedido do Papa.
Por seus trabalhos sobre a natureza dos anjos, Santo Tomás é chamado Doctor Angelicus. Tratou também de estabelecer definições consistentes acerca do conceito de ética e da concepção e natureza humanas em corpo e alma unidos.
Santo Tomás de Aquino
Confessor e Doutor da Igreja
(+ Fossa Nuova, 1274)
Santo Tomás de Aquino é considerado o mais sábio dentre todos os doutores católicos. Nascido de família abastada, foi enviado a mosteiro por seu pai quando tinha apenas 5 anos de idade a fim de que viesse a se tornar um monge beneditino. Aos 19 anos, contra a vontade de sua família, juntou-se a monges beneditinos mendicantes da ordem fundada por São Domingos de Gusmão. Estudou filosofia em Nápoles, onde nascera, e em Paris. Aprofundou-se na teologia em Colônia e novamente em Paris onde foi descoberto por Santo Alberto Magno (sobre o qual tratamos aqui há umas semanas). Morreu aos 49 anos quando se dirigia para o Concílio de Lião, a pedido do Papa.Santo Tomás de Aquino tem tanta importância para a doutrina católica que no Concílio de Trento sua obra mais importante, a Suma Teológica, foi colocada no altar ao lado das Escrituras para simbolizar que era à luz da filosofia erigida por Santo Tomás, o tomismo, que a Bíblia deveria ser interpretada. O tomismo é derivado da escolástica (principal linha filosófica medieval baseada no neoplatonismo) mas com profundos elementos aristotélicos. A Suma Teológica é um verdadeiro compêndio e o melhor representante de uma filosofia consistente contruída sobre os princípios cristãos. Através da Suma, é possível ter uma visão de mundo completa o que contribui para que o cristianismo não seja entendido apenas como uma religião, mas uma filosofia que dá sentido ao mundo e a realidade, algo que nenhuma outra religião conseguiu de maneira tão plena. Tornou-se célebre na Suma Teológica as cinco vias que fazem com que o homem atinja pela própria razão, a idéia da existência de Deus (são estas as provas da existência de Deus. Comentei sobre elas no primeiro post da séria catequese). O tomismo é ainda hoje a doutrina oficial da Igreja.
Por seus trabalhos sobre a natureza dos anjos, Santo Tomás é chamado Doctor Angelicus. Tratou também de estabelecer definições consistentes acerca do conceito de ética e da concepção e natureza humanas em corpo e alma unidos.Um bom resumo sobre São Tomás pode ser obtido na Wikipedia no endereço: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_tomás_de_aquino
São Tomás é uma verdadeira área de pesquisa em filosofia. Estudá-lo é estar em contato com o que há de mais consistente da filosofia cristã e alimenta a fé na medida que a liha diretamente com a razão.
Viva a todos os Santos!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Dica de programa - NAO DEIXEM DE VER!!!
Procurando no youtube algumas coisas acerca da Igreja achei um documentários inglês espetacular chamado "A Igreja Católica Construtora da Civilização". Nele Thomas E. Woods, graduado em Harvard e doutor em história pela Universidade de Columbia, discute diversos pontos essenciais referenetes à história da Igreja e desmistifica tantos e tantos absurdos que todos os dias somos obrigados a ouvir e muitas vezes até mesmo nos vemos tentados a acreditar. Notem que ele fornece uma séria de referências, oq ue mostra que seu trabalho é consistente. Posto abaixo o link do primeiro episódio.
http://www.youtube.com/watch?v=t6bnO7N1AMU
Os vídeos foram publicados no youtube por um usuários que se denomina Kandungus. A ele, meu muito obrigado.
Reintero que este é apenas a primeira parte do primeiro programa. As demais partes e programas são facilmente encontradas a partir do nome "A Igreja Católica Construtora da Civilização". Peço a todos que leiam esta mensagem (especialmente aos meus catequizandos) que vejam todas as partes e comentem! Todos temos o dever de lutar pela Igreja e saber responder à acusações graves e na maioria das vezes tolas já é um bom começo.
Bom programa a todos!
http://www.youtube.com/watch?v=t6bnO7N1AMU
Os vídeos foram publicados no youtube por um usuários que se denomina Kandungus. A ele, meu muito obrigado.
Reintero que este é apenas a primeira parte do primeiro programa. As demais partes e programas são facilmente encontradas a partir do nome "A Igreja Católica Construtora da Civilização". Peço a todos que leiam esta mensagem (especialmente aos meus catequizandos) que vejam todas as partes e comentem! Todos temos o dever de lutar pela Igreja e saber responder à acusações graves e na maioria das vezes tolas já é um bom começo.
Bom programa a todos!
domingo, 24 de janeiro de 2010
Doutores da Igreja - São Francisco de Sales
São Francisco de Sales
Bispo, Confessor e Doutor da Igreja (+ Lyon, 1622)
Bispo de Genebra, São Francisco de Sales nasceu em 1567 em meio a Reforma Protestante. Foi educado num colégio jesuíta em Paris e mais tarde em Annecy, também na França. Mais tarde, na Universidade de Pádua, na Itália, ainda com 24 anos, terminou seu doutoramento em direito canônico. Apesar das grandes possibilidades de carreira que essa sua condição lhe conferia, preferiu ordenar-se sacerdote em 1593, contra a vontade de sua família. Foi reitor em Genebra, o centro do calvinismo. Após, foi para Chablais na região suíça da Sabóia onde conseguiu, por meio de seu prestígio, pregação e diversos escritos, trazer de volta à Igreja cerca e 8000 calvinistas. Tornou-se então Bispo de Genebra em 1602 sendo sua diocese conhecida pela exímia formação de seu clero e fiéis leigos. Junto com Santa Joana Francisca de Chantal criou a ordem da visitação, uma ordem contamplativa. Foi também diretor espiritual de São Vicente de Paulo, cujo corpo encontra-se incorruptível ainda hoje e é exibido aos fiéis em uma pequena Igreja em Paris (eu vi!). Tornou-se o líder da Contra-Reforma Católica. Morreu em 1622 e foi beatificado no mesmo ano de sua morte, fato bastante raro e canonizado pelo Papa Alexandre VII em 1655 e foi declarado doutor da Igreja pelo Papa Pio IX. É o patrono da imprensa e dos escritores católicos. É ainda patrono na Ordem Salesiana (note que o nome Salesiano deriva de Sales) a qual ocupa-se principalmente da educação dos jovens e foi fundada por São João Bosco (Dom Bosco). Em 1632 teve seu corpo exumado e seus restos mortais foram encontrados em perfeito estado, inclusive com elasticidade em seus braços e com uma fragrância agradável. Hoje, seus restos mortais encontram-se na Igreja da Visitação em Annecy, na França.
Viva a todos os Santos!!
Bispo, Confessor e Doutor da Igreja (+ Lyon, 1622)
Bispo de Genebra, São Francisco de Sales nasceu em 1567 em meio a Reforma Protestante. Foi educado num colégio jesuíta em Paris e mais tarde em Annecy, também na França. Mais tarde, na Universidade de Pádua, na Itália, ainda com 24 anos, terminou seu doutoramento em direito canônico. Apesar das grandes possibilidades de carreira que essa sua condição lhe conferia, preferiu ordenar-se sacerdote em 1593, contra a vontade de sua família. Foi reitor em Genebra, o centro do calvinismo. Após, foi para Chablais na região suíça da Sabóia onde conseguiu, por meio de seu prestígio, pregação e diversos escritos, trazer de volta à Igreja cerca e 8000 calvinistas. Tornou-se então Bispo de Genebra em 1602 sendo sua diocese conhecida pela exímia formação de seu clero e fiéis leigos. Junto com Santa Joana Francisca de Chantal criou a ordem da visitação, uma ordem contamplativa. Foi também diretor espiritual de São Vicente de Paulo, cujo corpo encontra-se incorruptível ainda hoje e é exibido aos fiéis em uma pequena Igreja em Paris (eu vi!). Tornou-se o líder da Contra-Reforma Católica. Morreu em 1622 e foi beatificado no mesmo ano de sua morte, fato bastante raro e canonizado pelo Papa Alexandre VII em 1655 e foi declarado doutor da Igreja pelo Papa Pio IX. É o patrono da imprensa e dos escritores católicos. É ainda patrono na Ordem Salesiana (note que o nome Salesiano deriva de Sales) a qual ocupa-se principalmente da educação dos jovens e foi fundada por São João Bosco (Dom Bosco). Em 1632 teve seu corpo exumado e seus restos mortais foram encontrados em perfeito estado, inclusive com elasticidade em seus braços e com uma fragrância agradável. Hoje, seus restos mortais encontram-se na Igreja da Visitação em Annecy, na França.Viva a todos os Santos!!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Ave Maria
A Ave Maria é uma das mais antigas orações da Igreja e provavelmente, junto com o Pai Nosso, a mais utilizada. Isso se deve a sua clareza, sua forma campacta e seu núcleo: a importância de Maria e a Encarnação do Verbo Divino. A primeira parte é inteiramente tomada do Evangelho de São Lucas. A segunda parte, a partir de "Santa Maria, mãe de Deus" foi adicionada mais tarde numa atitude de combate contra a heresia nestoriana que pregava que Maria não seria mãe de Deus por não ter Jesus a natureza divina, o que é um absurdo. Por isso Maria é Theotokos (portadora de Deus, aquela que dá a luz a Deus ou Mãe de Deus). Acrescente-se ainda que esta é uma oração poderosíssima contra as tentações do demônio pela interseção constante de Nossa Senhora e pelo fato de que, conforme escreve e explica São Luís Maria Grignion de Montfort, tanto mais humlhado é o diabo sendo combatido por uma humana. Abaixo escrevo a oração em duas línguas distintas:
Em português:
Em português:
- Ave, Maria, cheia de graça,
- o Senhor é convosco.
- Bendita sois vós entre as mulheres,
- e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
- Santa Maria, Mãe de Deus,
- rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte.
- Amém.
Em latim:
- Ave Maria, gratia plena
- Dominus tecum
- Benedicta tu in mulieribus
- Et benedictus fructus ventris tui Jesus
- Sancta Maria, Mater Dei,
- Ora pro nobis pecatoribus
- Nunc et in hora mortis nostrae
- Amen.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Doutores da Igreja - Santo Hilário de Poitiers
Viveu no século 4 e lutou tenazmente contra a heresia ariana sendo por isso conhecido como Atanásio do oeste visto a grande importância de Santo Atanásio no combate à heresia ariana desempenhado por ele no oriente. Santo Hilário (bispo de Poitiers) nasceu de família abastada e pagã. Sua condição finaceira lhe possibilitou estudar filosofia na qual buscou encontrar a verdade, que ele só encontraria mais tarde no conhecimento dos Evangelhos. Foi então aos 30 anos batizado junto com toda sua família. Em 353 é eleito Bispo, num tempo em que a perseguição religiosa encontrara seu fim. Lutou a partir daí contra a heresia ariana e foi por esta razão exilado pelo imperador Valentiniano I. Mesmo no exílio, lutou ainda pela verdade de Cristo e terminou retornando a Poitiers. Por sua luta incansável, a heresia ariana não pôde imperar. Indubitavelmente, Santo Hilário é um dos maiores responsáveis (quiçá o maior) pela fim do arianismo. Dentre suas várias obras, pode-se destacar De Trinitate onde defende a consubistacialidade de Pai e Filho, em oposição ao arianismo. Sobre ele escreveu o Papa Bento XVI:-
- "Hilário teve um papel decisivo para que a Gália, a antiga França, filha primogênita da Igreja, mantivesse sua fidelidade à fé dos apóstolos, particularmente no sínodo de Paris, celebrado no ano 360 ou em 361. Alguns autores antigos consideram que esta mudança antiariana do episcopado da Gália se deveu em boa parte à fortaleza e mansidão do bispo de Poitiers.
-
- "Deus só sabe ser amor, e só sabe ser Pai. E quem ama não é invejoso, e quem é Pai o é totalmente", dizia o bispo segundo um de seus escritos. Por este motivo, o Filho é plenamente Deus sem falta ou diminuição alguma, dizia Hilário". "Quem procede do perfeito é perfeito, porque quem tem tudo lhe deu tudo", afirmava o doutor da Igreja. "Só em Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, a humanidade encontra a salvação."
Viva a todos os Santos!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
CATEQUESE
A Transmissão da Revelação Divina
Parte II: A Sagrada Escritura
por Raphael Fracalossi
Baseado no Catecismo da Igreja Católica, discutimos neste quarto encontro o segundo dos meios segundo o qual Deus revela-se ao homem, a Sagrada Escritura
Por sua bondade, Deus utiliza-se de palavras humanas para revelar-se:
Com efeito, as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, fizeram-se semelhantes à linguagem humana, tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza se fez semelhante aos homens. [Constituição dogmática Dei Verbum]
As Sagradas Escrituras expressam de maneira inerrante o Verbo divino. Lida por inteiro, a Bíblia conserva sua coesão e coerência, mesmo tendo sido escrita ao longo de vários anos e por diferentes pessoas.
“Lembrai-vos que é uma mesma a Palavra de Deus que está presente em todas as Escrituras, que é um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados; ele que, sendo no início Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo.” [Santo Ambrósio]
O que distingue a Bíblia dos demais livros humanos é o fato de que ela é inteiramente inspirada por Deus. Este é um dogma judeu e Católico (na verdade, um dogma de todos os que são ditos cristãos).
Toda Escritura é divinamente inspirada. [2Tim 3,14]
Mas sabei, antes de tudo, que nenhuma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que os homens falaram em nome de Deus. [2Pe 1,21]
Desta forma, vemos que Deus é o autor da Sagrada Escritura. Ele inspirou os santos homens que escreveram a mensagem de Deus. Estes, cuja vontade foi movida por Deus para escrever aquilo que Ele nos quis dizer, isto é, aqueles a quem ele inspirou, recebem o nome de hagiógrafos.
“Todavia a fé cristã não é uma ‘religião do livro’. O Cristianismo é a religião da ‘Palavra’ de Deus - não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo”. [São Bernardo, Homilia Super Missus Est 4,11 Pl 183, 86B]
Contudo, para que as Escrituras não permaneçam “letra morta”, é preciso que Cristo, pelo Espírito Santo, nos abra os espírito à compreensão das Escrituras, isto é, derrame sua graça para que nos orientemos no reto caminho.
Sendo a Bíblia autoria do próprio Deus, no Espírito Santo que orienta os hagiógrafos, é conseqüência o fato de que as Escrituras não contém erros e nem contradições. Além disso, Deus fala por ela aos homens a maneira dos homens. Estretanto, a linguagem pode ser de maneiras diferentes interpretada sendo portanto necessário estabelecer um padrão, uma norma para a interpretação. Alie-se a isso o fato de que as Escrituras foram redigidas por muito tempo, por pessoas de diferentes regiões, línguas, costumes e contextos sócio-políticos. Disso, pode-se ver que a interpretação dos livros sagrados não é trivial. Mesmo assim, esta interpretação deve ser única - já que a verdade de Deus é única - Portanto, a Tradição da Igreja, a outra fonte de revelação, é a autoridade única para interpretar as Escrituras. Baseado nisso, o Concílio Vaticano II indica três critérios que devem ser seguidos para se obter uma interpretação da Bíblia conforme o Espírito Santo:
1) “Considerar o conteúdo e a unidade da Escritura inteira”. As escrituras devem ser entendidas no seu todo pois são a revelação, os preceitos e a história a qual o povo de esteve e está submetido, tendo Jesus Cristo como centro.
“O coração de Cristo designa a Sagrada Escritura, que dá a conhecer o coração de Cristo. O coração estava fechado antes da Paixão, pois a Escritura era obscura. Mas a Escritura foi aberta após a Paixão, pois os que a partir daí têm a compreensão dela consideram e discernem de que maneira as profecias devem ser interpretadas.” [São Tomás de Aquino, Expositio in Psalmos]
2) Ler a Escritura dentro “da Tradição viva da Igreja inteira”. A Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura.
3) Deve-se estar atento à “analogia da fé”. Por “analogia da fé” entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação.
Àquele a quem é dada, sob autoridade da Igreja, a interpretação das Escrituras é chamado exegeta. Este deve estar atento aos sentidos possíveis dos textos bíblicos:
- Sentido literal: É o sentido significado pelas palavras da Escritura e descoberto pela exegese que segue as regras da correta interpretação. Todos os outros sentidos devem estar fundados neste.
- Sentido espiritual: As realidades e acontecimentos narrados na Escritura podem ser sinais, o que permite a seguinte subdivisão:
- sentido alegórico: alguns acontecimentos podem ser compreendidos de maneira mais profunda reconhecendo a significação deles em Cristo, por exemplo. Assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo e também do Batismo;
- sentido moral: Os acontecimentos relatados na Escritura devem conduzir-nos a um justo agir. Eles foram escritos para nossa instrução;
- sentido anagógico: Podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna. Isto equivale a enxergar a história do homem como uma “entidade”. Estes acontecimentos nos conduzem à nossa pátria. A Igreja na Terra é a Jerusalém celeste.
- Sentido acomodatício: Consiste em dar às palavras da Sagrada Escritura um sentido diferente daquele que o autor lhes quis dar, devido a uma certa semelhança entre a passagem bíblica e a sua aplicação. Este sentido é muito usado na liturgia e na pregação. Temos um exemplo claro nas Missas de Nossa Senhora que aplicam a Maria os textos que se referem a sabedoria divina (Prov 8,22-35; Ecl 24, 14, 16). Por motivos óbvios, deve ser usado com muita cautela de modo que não se deve buscar sentidos ou significados onde não existem.
O canôn das Escrituras (a lista completa de livros inspirados) é constituído de 73 livros, 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento.
O Antigo Testamento é composto pelos livros divinamente inspirados mas escritos antes da vinda do Messias. Com efeito é lá que esta vinda é prenunciada e o povo é exortado a se preparar para ela. É lá que é contada a trajetória do povo de Deus, desde a criação e queda até o centro da redenção, isto é, Cristo. Podemos dividir os livros do Antigo Testamento em categorias:
- Livros históricos: O Pentateuco (coleção dos cinco primeiros livros atribuídos pela tradição judaica a Moisés - Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Josué, Juízes, Rute, Primeiro e Segundo Livro de Samuel, Primeiro e Segundo Livro dos Reis, Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester e Primeiro e Segundo Livros dos Macabeus;
- Livros didáticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos (estes três últimos atribuídos ao rei Salomão), Sabedoria e Eclesiástico;
- Livros proféticos: A coleção dos profetas maiores (Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel e Daniel) e a dos profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias).
O Novo Testamento é composto pelos livros inspirados escritos após a vinda do Messias e tendo a Ele, Cristo, como centro e expõe os elementos mais fundamentais do cristianismo. É dividido da seguinte forma:
- Livros históricos: Os quatro Evangelhos, onde nos é contada a vida de Jesus entre nós: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. Consta como livro histórico também o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas;
- Livros didáticos: Divididos em dois grupos: Cartas paulinas, devidas ao Apóstolo São Paulo e, em geral, dirigidas a comunidades específicas: Romanos, I Coríntios, II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I Tessalonissenses, II Tessalonissenses, I Timóteo, II Timóteo, Tito, Filêmon e Hebreus. Cartas Católicas: as quais têm abrangência universal mas também escritas a priori a uma comunidade ou pessoa em particular: Primeira e Segunda Epístula de São Pedro, Primeira, Segunda e Terceira Epístula de São João Evangelista, São Tiago e São Judas Tadeu.
- Livro profético: Apocalipse de São João.
A Igreja, já nos tempos apostólicos, e depois constantemente em sua Tradição, iluminou a unidade do plano divino nos dois testamentos graças à tipologia. Esta discerne nas obras de Deus contidas na Antiga Aliança (Antigo Testamento) prefigurações daquilo que Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa de seu filho encarnado. Deste modo, há uma unidade inseparável entre o Antigo e o Novo Testamento.
As Escrituras devem ser lidas com intuito de edificar a fé. Leituras em busca de revelações pessoais (abrindo a Bíblia para ler algo como sendo um aviso pessoal de Deus à pessoa) é, conforme já vimos, pecado. A Igreja sempre aconselhou a leitura das Escrituras e sua veneração, conforme interpretação da Igreja, como maneira eficaz e fundamental para o crescimento na fé e a aproximação a Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
sábado, 2 de janeiro de 2010
Doutores da Igreja - São Gregório Nazianzeno
São Gregório Nazianzeno (ou Nazianzo) tem sua data celebrada no mesmo dia que a de São Basílio. Também ele é nascido na Capadócia na Ásia Menor. Estudou em renomadas escolas como a de Cesaréia da Palestina fundada por Orígenes. Mais tarde, veio a estudar em Atenas, onde conheceu São Basílio, onde dedicou-se à filosofia.Após ter regressado a Nazianzo foi batizado, sagrado Sacerdote em 361 e Bispo de Sásima onze anos mais tarde, sendo logo em seguida colocado à frente da igreja de sua cidade natal. Com a morte do imperador Romano Valente, ariano, São Gregório foi chamado para cuidar da reorganização da igreja de Constantinopla, então o mais influente patriarcado do oriente, o que culminou com o Primeiro Concílio de Constantinopla onde a heresia ariana foi condenada e os dogmas acerca das naturezas de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Santíssima Trindade são estabelecidos.
Sua produção literária, ao contrário do que se imagina, não é muito vasta mas tal foi sua importância no restauro do cristianismo, sua influência na sociedade da época e o primor daquilo que escreveu e disse que, conquistando todo prestígio dentro e fora de Constantinopla, é denominado pela igreja Ortodoxa como "o Teólogo".Abaixo, um pequeno fragmento de uma obra de São Gregório:
"Cristo dá-nos a conhecer, pelo seu amor, um só Deus numa Trindade; é de três infinitos e infinita conaturalidade. Deus, integralmente, cada um considerado em Si mesmo (...) Deus, os Três considerados juntamente."
Orações XL, 41
Doutores da Igreja - São Basilio
Nascido em Cesaréia na Ásia Menor, São Basílio veio de uma família profundamente cristã sendo neto de Santa Macrina, filho de Santa Emélia e irmão de São Gregório de Nissa, de São Pedr Sebaste e de outra Santa Macrina.Foi colega de estudos do futuro imperador Juliano, o apóstata e do grande São Gregório Nazianzeno, seu amigo cuja data se celebra em seu mesmo dia.Terminando seus estudos e sendo batizado, São Basílio ingressou na vida monástica dedicando-se à pobreza e aos estudos tendo ainda fundado um mosteiro e escrito duas grandes Regras. A respeito da concepção de vida monástica de São Basílio, o Papa Bento XVI escreveu:
Na realidade, São Basílio criou uma vida monástica muito particular: não fechada à comunidade da Igreja local, mas aberta a ela. Seus monges formavam parte da Igreja particular, eram seu núcleo animador que, precedendo aos demais fiéis no seguimento de Cristo e não só da fé, mostrava sua firme adesão a Cristo - o amor a ele -, sobretudo com obras de caridade. Estes monges, que tinham escolas e hospitais, estavam ao serviço dos pobres; assim mostraram a integridade da vida cristã.
Ajudado por São Gregório Nazianzeno, São Basílio lutou arduamente contra a heresia ariana que devastava os meios católicos orientais e ocidentais, sendo por isso fortemente perseguido. Defendeu sobretudo a doutrina a consubstancialidade do Verbo conforme defendida no concílio de Nicéia (325). Teve por consequência papel fundamental na construção de conceitos e e doutrinas que mais tarde seriam as bases para a exposição da Igreja acerca do dogma da Santíssima Trindade preparando assim o primeiro concílio de Constantinopla (381). Teve vasta produção literária sendo a fixação do rito oriental conhecido como Divina Liturgia de São Basílio sua obra mais conhecida.
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