domingo, 31 de março de 2013

Dica de leitura: Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental

A uns anos atrás postei neste blog um vídeo de um programa apresentado pelo historiador Thomas Woods "How the Catholic Church built western civilization". Este programa foi transformado em livro e traduzido para o português. Nele, Thomas Woods mostra (documentalmente, por sinal) certos fatos que sempre foram conhecidos. Por exemplo, que a Igreja fundou o sistema universitário, que se deve a ela a formatação do método científico, o direito internacional, o conceito de caridade e por aí vai. Eu comprei e li o livro e afirmo que vale a pena.

Segue o link da livraria Cultura com o livro:

http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/COMO-A-IGREJA-CATOLICA-CONSTRUIU-A-CIVILIZACAO/7027120

Boa leitura!



segunda-feira, 25 de março de 2013

Felicidade X virtude

Tive uma conversa com um grande amigo que me fez refletir com respeito àquilo que mais obstinadamente temos buscado. Certamente a opinião da maioria será a de que não há sentido uma vida em que a felicidade não seja um fim último e razão de ser de nossas ações. Evidentemente, esta felicidade plena deveria vir a reboque de sua conquista sem atentar contra a própria consciência moral uma vez que a inquietude da busca pela felicidade a qualquer custo não resultará em felicidade plena, mas em momentos felizes e confortáveis, o que não compõe a estrutura de uma vida inteira. Bem, isto parece razoável a princípio, mas partamos de uma situação hipotética (a qual foi suscitada por meu amigo Heron na conversa que mencionei no início. Ele assistiu o ocorrido num programa de tv, o BBB 13): duas pessoas estão num jogo qualquer, cujas regras eram precisamente conhecidas, no qual nenhuma das duas foi obrigada a participar e o prêmio é um automóvel maravilhoso. Agora, imagine que a disputa se dê entre um homem e uma mulher. A prova consiste em submeter cada um dos participantes a situações que provem sua resistência mas sem apelo às suas forças físicas. Os participantes portanto serão obrigados a desistir apenas por eventuais necessidades fisiológicas, como urinar, defecar, comer, beber água, etc. Bom, sabemos que para um homem aparentemente é mais fácil lidar, por exemplo, com a necessidade de urinar do que para uma mulher, por questões meramente anatômicas (na prova em questão, nada impediria o concorrente masculino de resolver o problema por ali mesmo). Ora, neste caso, o homem está em vantagem. A mulher então sugere: "assim que um de nós dois tiver a necessidade de urinar, o jogo deve parar e esta pessoa deve desistir; porque para que eu o faça, eu necessariamente tenho que abandonar a disputa, enquanto você poderia continuar, o que me parece injusto". O homem responde: "não, o jogo é este e as regras foram claras!". Entretanto, após refletir por algum tempo o homem diz a mulher: "sua condição, neste caso, de desvantagem, me levou a tomar uma decisão. Eu abandono o jogo e você fica com o carro pois isto me parece correto". O homem então desiste, a mulher ganha o carro e o comentarista diz que a atitude do rapaz foi eticamente coerente. É este o ponto que eu desejo analisar. Vamos ao fato em si: o homem desistiu do prêmio para cedê-lo a outra pessoa sob a justificativa de que a disputa não se dava em igualdade de condições. Dizer que a conduta do concorrente do sexo masculino foi ética implica por consequência qualificar que, numa disputa qualquer, a vitória, em nome da ética repita-se, deve sempre ser atribuída ao lado que ficou mais fraco ou fragilizado, o que contradiz o próprio conceito de disputa evidentemente. Acrescente-se ainda que em nenhum momento discutiu-se se o maravilhoso automóvel (igual ao meu por sinal :) seria mais necessário ou útil à concorrente feminina, o que de fato justificaria a saída do homem da competição e permitiria atribuir à sua atitude a qualidade da nobreza. De fato, o prêmio aparentemente teria a mesma utilidade e seria de mesma necessidade para os dois. Portanto, a atitude não teve nada de nobre também. O último motivo lícito capaz de justificar a ação do rapaz seria premiar sua colega de competição por suas virtudes (ainda que sejam físicas, mas virtudes). No caso da virtude física, o motivo da desistência tem um fim último muito claro: comer a colega, o que se não é um motivo nobre, pelo menos ainda é um motivo. No caso de se tratar de premiar um comportamento virtuoso e exemplar, a justiça da ação seria indiscutível e a discussão não encontraria razão de ser. Entretanto, e mais uma vez, aparentemente estes não foram os motivos. O que restou então? A primeira tese, a qual implica que o conceito de disputa deve ser abolido. Eu concordaria com a atitude do rapaz caso o prêmio em disputa fosse um prato de comida numa prova em que estão todos morrendo de fome. Opa! Voltamos para a nobreza. Mas não era disso que se tratava... o fato é que, o sujeito tinha total e pleno direito de ceder a vitória à concorrente, isto não está em discussão. Entretanto, quando o apresentador disse que a atitude do rapaz era eticamente consistente, ele acabou de confundir o conceito de ética com o de bom-mocismo, o que é absurdo e execrável. Defino como bom-mocismo qualquer ação que vise classificar o agente como "bonzinho" isto é, que permite que aqueles que o rodeiam o qualifiquem com a virtude da bondade e do desapego de si mesmo pelos outros e pela natureza. Não vou entrar no mérito do porquê do bom-mocismo ser condenável. Isto deixarei para ocasiões futuras, mas de pronto afirmo que o bom-mocismo traz consigo um tipo de discurso que limita a expressão daquele que o profere e incita o ouvinte à covardia de denunciar com o devido rigor tudo quanto há de condenável numa sociedade. Volto a dizer: não importa o motivo que levou o rapaz a tomar a atitude que tomou. É direito dele! Condeno a atribuição, por parte do apresentador, de atitude ética à que foi tomada, a qual possui fortes aromas bom-mocistas, e com isso a propagação da noção implícita que se deve buscar a felicidade e o sorriso de outro antes de premiar suas virtudes. Para o bom-moço, mostrar que é capaz de arrancar o sorriso de alguém é notadamente mais importante do que premiar as virtudes, sobretudo se elas se constituem em exceção diante do grupo social ao qual pertence. Para o bom-moço,  a coletividade está acima da liberdade individual, o que nos carrega para a pior das justificativas de legitimidade: a justificativa do número, da maioria, independente das virtudes trazidas por esta mesma maioria. No fim, para o bom-moço é mais importante a busca pela felicidade (ainda que do coletivo) do que das virtudes individuais... muito mais fácil ser burro acompanhado que burro sozinho...

sábado, 23 de março de 2013

Renascimento

Depois de bastante tempo, resolvi reativar meu Blog Princípio. Posso dizer que durante este hiato e após muitas reflexões, leituras e discussões, estou mais preparado para tornar este espaço um dos poucos redutos em que o início das ponderações partam de uma visão conservadora, fugindo do dito intelectual e equilibrado pensamento liberal esquerdista que dá origem a vários dos demais "istas" que nos transformam no que somos hoje. Deixo a estes a exclusividade do desejo de revolução, o erro maior e quase patológico que afeta a grande maioria de seus simpatizantes enquanto eu, humildemente, me dedicarei a expor uma visão que hoje é alternativa, infelizmente, já tendo a consciência da grande antipatia e mesmo ódio que poderei atrair.