Bom, quem me conhece sabe que tenho uma posição dita um pouco rígida a este respeito pois creio que se deva ter pela Liturgia um cuidado doutrinal dos maiores possíveis por parte de quem se envolve com ela. Dentro desta perspectiva, aceito certas manifestações locais desde que sem o exageiro característico de nossos dias. Em particular, me volto sobretudo para a música sacra. A Igreja ao longo de sua história tem se preocupado de maneira bastante particular com o tipo de música usada na celebração Litúrgica. Por esta razão, já Santo Agostinho nos primeiros séculos da cristandade escreveu mais de uma vez em seus muitos livros sobre a importância da música durante o Santo Sacrifício da Missa mencionando inclusive os efeitos que as canções possuíam sobre ele e de que forma eram capazes de elevar sua fé. Naturalmente, eu podia citar dezenas de santos e Papas que deste assunto trataram, mas deixo um link de dois documentos do Santo Padre Papa Pio XII (foto ao lado). Este Papa do século XX é um dos mais injustiçados da nossa história recente por ser frequentemente acusado de omisso com respeito à questão da perseguição sofrida pelos judeus na segunda grande guerra. Bom, não vou entrar no mérito da questão mas um dia trataremos disso conforme se deve (vale só dizer que o considero junto com João Paulo II o maior Papa do século XX e que estas acusações são injustas). Aí vão duas Encíclicas de Pio XII, a Mediator Dei e a Musicae sacrae disciplina (os links direcionam diretamente para a seção do site da Santa Sé que hospeda estes documentos):http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_20111947_mediator-dei_po.html
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_25121955_musicae-sacrae_po.html
Mas aí vão alguns pontos de vista - que muitos diriam pessoais mas que eu chamaria conformes às doutrinas da Igreja. Creio firmemente que a música sacra deva ser instrumento para louvar a Deus, elevar os espíritos dos fiés participantes ao Criador fazendo com que esta mesma música transmita ao menos de maneira ínfima mas correta as grandezas de Deus, e demarcar a sacralidade do lugar e do que é feito no altar. Vejam que, em nenhum momento se diz que a música é para proveito pessoal de modo a tornar o participante feliz ou emotivo. Isso é óbvio pois Deus não é paixão mas razão, amor. Deste modo, é de se esperar que pessoas chorando porque ouviram uma canção com letras ingênuas e ritmo descuidado, em geral, não têm seus espíritos elevados a Deus mas ao invés disso, são pessoas que permitem que a paixão sobrepuje a razão, o que é errado. Ainda, como as músicas devem exprimir a Deus, estas devem ter compasso adequado que mostrem a pequenez do homem e a grandeza da Trindade, que se adequem aos momentos de alegria e tristeza na celebração sempre mantendo o seu decoro. Portanto, instrumentos que soem distorcidos, como guitarras e baixos elétricos ou em alguns casos mesmo violões, instrumentos de percurssão (que tem na inconstância e na mutabilidade a sua marca registrada) não são instrumentos adequados quando usados como principais. Deste ponto de vista, creio que guitarras, baixo e bateria são abusos litúrgicos inqualificáveis numa Santa Missa. Podem ver! em geral quem participa da Liturgia tocando estes instrumentos recebe permissão para que ele (quem toca) se sinta importante e fazendo um bem enquanto se esquece que, naquele momento, é Deus quem deve estar sendo ao menos minimamente representado e sumamente louvado e adorado com o decoro e repeito devido a ele. Frases como "apaixonado por Jesus" e "Jesus é 10!" devem ser banidas das Missas. Acerca dos instrumentos adequados, conforme nos ensinam os Santos Padres devem figurar os órgãos e instrumentos de corda como violino, viola (a de concerto que parece um violino) dentre outros. Notem que outros instrumentos, mesmo os de percursão podem ser utilizados desde que como um acessório aos principais e unicamente para louvar a Deus e não para fazer com que um jovem rebelde não saia da Igreja (o que gera as malditas baterias nas Missas). Infelizmente movimentos como a Renovação Católica Carismática (RCC) não possuem a devida preocupação com estas questões e espalham um modismo de "católicos" apaixonados e pentencostalizados como, muitas vezes, nas piores seitas que povoam nosso país. Não vejo tanto problema em se expressarem da forma como o fazem mas nas Missas é sim inadequado.
Muito pode ser dito sobre a arte de maneita geral. Mesmo aquela que não exprime Deus de maneira objetiva pode fazê-lo de maneira subjetiva. As Ninféias de Monet, a Mona Lisa de Da Vinci, dentre várias outras obras são a expressão das capacidades do gênero humano na sua forma mais imponente, humanidade criada à imagem e semelhança de Deus, mas sobre isso falaremos num outro momento.
Ah, só pra completar, gosto de muitos tipos de música que utilizam bateria e guitarra. Só acho (tenho certeza) de que nas Missas devemos nos preocupar com o que é apropriado para louvar a Deus e não para nos satisfazermos pessoalmente. A Missa é nosso oferecimento para Deus e não para nós mesmos. Colhemos dela aquilo que Deus, agradado com nosso oferecimento, se digna a nos dar. Deus misericordioso que nos dá a vida, o perdão e a Salvação.
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